Golpe de Estado na Colômbia: prefeito de Medellín é suspenso por apoio a Petro

Quintero Calle sofreu sanção arbitrária após postar vídeo sugerindo que Petro poderia vencer a eleição presidencial da Colômbia já no primeiro turno

Daniel Quintero Calle, prefeito de Medellín, na Colômbia, foi suspenso pela Procuradoria Geral da Colômbia por publicar um vídeo em sua conta no Twitter.

Na gravação dentro de seu carro, Calle engata a primeira marcha e diz “cambio en primera”, uma alusão a possível vitória de Gustavo Petro já no primeiro turno das eleições presidenciais.

A ordem foi dada por Margarita Cabello Blanco, procuradora geral do país e ex-ministra da Justiça de Iván Duque, sob alegação de que Quintero estaria interferindo no processo eleitoral.

“A Procuradoria, empurrada pelo uribismo, nos suspende do cargo em apenas 12h, sem motivo e nem devido processo, sem direito à defesa, violando nossos direitos políticos, a Constituição, a CIDH (Comissão Interamericana de Direitos Humanos) e, sobretudo, a vontade popular”, disse Quintero Calle em seu Twitter.

“Pelo visto, o “câmbio” (mudança) tem inimigos como inimigos tem a democracia”, comentou Quintero Calle (Foto: Prefeitura de Medellín)

Ele aponta que a decisão arbitrária busca favorecer o candidato de Iván DuqueFico Gutiérrez, atropelando o Estado de Direito e ameaçando a liberdade, como em uma ditadura: “Pelo visto, o “câmbio” (mudança) tem inimigos como inimigos tem a democracia”, acrescentou Quintero.

Gustavo Petro também se pronunciou, denunciando que há um golpe em curso na Colômbia e pedindo que cidadãos e a CIDH defendam o voto popular.

Petro, que concorre pelo Pacto Histórico, menciona que já enfrentou caso semelhante: “Um promotor fascista já me suspendeu como prefeito e a sentença do CIDH foi contundente: um órgão administrativo não pode suspender os efeitos do voto cidadão”, escreveu em sua conta do Twitter, como explica o fio da ComunicaSul:

A representante do Pacto Histórico na Câmara de BogotáMafe Carrascal Tintos, também se posicionou contra o golpe de estado, lembrando que um prefeito não pode ser suspenso sem ao menos ser notificado de uma investigação e passando acima da CIDH: “Não se pode violar os direitos políticos de pessoas elegidas para cargos de eleições popular. Até quando?”, questionou Mafe Carrascal.

O primeiro turno da eleição presidencial na Colômbia acontece em 29 de maio e a Diálogos do Sul e a ComunicaSul vão até o país para acompanhar o processo de perto. Para saber mais informações sobre a corrida eleitoral colombiana, confira as matérias já publicadas pela DS aqui: Eleições na Colômbia 22.


* Texto publicado originalmente em Diálogos do Sul Global.